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Blog CUB Centro Universitário de Brusque
30 de dezembro de 2019

Calculadora em sala de aula, amiga ou vilã?

calculadora

Para a minha estreia neste blog, resolvi contribuir com um questionamento clássico: “Afinal, usar ou não usar a calculadora durante as aulas?”. Sabemos que existe um forte incentivo ao uso de tecnologias na educação, sejam computadores, tablets, realidade virtual etc. Mas, a calculadora ainda é vista, no modelo tradicional de ensino, como um certo inimigo inconveniente para a sala de aula. É comum que alguns educadores defendam a posição que “o aluno precisa saber fazer conta”, o aluno “fica dependente do objeto” ou ainda que os alunos “calculam mecanicamente, não pensam”. De fato, temos que tomar alguns cuidados com o uso da calculadora. A atenção ao seu uso é necessária, mas a negação da sua contribuição não me faz muito sentido.

Eu acredito que seja absolutamente necessário que a criança, ao final dos anos iniciais do ensino fundamental, já tenha domínio das quatro operações básicas (sejam números inteiros, frações decimais ou frações ordinárias) e da tabuada. Dado o domínio e o conhecimento prévio das operações, a calculadora pode ser um bom suporte, visto que a calculadora eletrônica representa um grande progresso na eficiência, precisão e rapidez nas contas, amplamente utilizada pela sociedade. Em virtude disso, é natural a sua inserção na Escola, primeiro pela modernização do método e também por trazer uma liberdade ao aluno, que se livra de algumas contas chatas, pouco desafiantes e que em nada aprimoram a sua capacidade intelectual.

A calculadora mostra-se, então, como uma excelente ferramenta para fazer contas, em especial, as longas e repetitivas, ou ainda, as difíceis (como extrações de raízes). Mas, alguns cuidados devem ser tomados, e aqui eu listo quatro deles, destacados pelo Professor Elon Lages Lima.

  1. A calculadora só lida com frações decimais (os números com vírgulas). Algumas operações básicas com frações ordinárias, como 4/7 – 3/7 = 1/7 perdem um pouco de sentido quando trabalhada em frações decimais. O cálculo ficaria 0,42857142 – 0,28571428 = 0,14285714. Será mais fácil perceber que de 4 partes de 7 foram retiradas 3 partes de 7 e me restou 1 parte de 7 ou me restou 0,14285714 de algo? As frações ordinárias, em alguns casos, são extremamente mais eficientes para compreensão do conceito de fração ou parte.
  2. A calculadora trabalha com aproximações. Talvez para a maioria dos casos que você já utilizou a calculadora, a aproximação não teve tanta perda de valor, mas o fato é que são aproximações. Ao trabalhar com número extremamente pequenos ou extremamente grandes, as aproximações podem causar distorções grandes do real valor.
  3. Calculadora não trabalha com letra. O algebrismo é muito recorrente em estudos mais aprofundados e já aparecem nos anos finais do ensino fundamental. A incapacidade de lidar com letras e números limita o uso da calculadora para algumas aplicações.
  4. O acesso à calculadora não é universal. Temos uma desigualdade profunda entre os alunos e entre os recursos das escolas brasileiras, existem lugares com computadores de altíssima geração e outros que não possuem sequer folha e lápis para todos os alunos. Respeitando as diferentes, cabe ao professor compreender o ambiente em que está inserido e trabalhar da melhor forma possível.

Aprender as operações básicas e as regras de cálculo quando ainda criança podem ser um diferencial, uma habilidade a mais. Uma vez com um bom desenvolvimento do cálculo mental, é como andar de bicicleta, nunca mais se esquece. Num segundo momento, já no segundo grau, a fim de evitar-se perda de tempo e desnecessário esforço, a calculadora passa a ser uma boa ferramenta para melhorar a seu aproveitamento dos estudos.

Até a próxima!

Créditos
Texto: Pedro Lourenço Mendes Júnior, professor de Matemática
Foto: Google.com

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